Lamprophis fuliginosus PDF Versão para impressão
Escrito por Colubridae.net   
As Cobras de Casa Africanas encontram-se espalhadas um pouco por todo o continente africano, excepto nos desertos e densas florestas tropicais. Devem o seu nome comum ao facto de serem particularmente frequentes em meios urbanos.

São colubrídeos de tamanho médio, os machos raramente chegam aos 70cm e as fêmeas atingem frequentemente 1,20m ou mais.

A coloração desta espécie varia entre o castanho claro avermelhado, castanho escuro quase preto e até verde-azeitona, sendo a tonalidade mais comum a de fuligem (daí o nome fuliginosus). Têm como característica distinta duas riscas longitudinais de tonalidade mais clara ao longo da cabeça. Uma desde a boca passando por cima do olho e outra desde a parte inferior do olho até ao inicio da boca. O ventre é mais claro que o dorso, sendo amarelo, castanho claro ou madrepérola. Pode ser uniforme na cor ou apresentar um padrão de manchas esbatidas, suaves, ou lineares. As cobras recém-nascidas e as mais velhas apresentam tonalidades mais escuras.

As Lamprophis fuliginosus possuem dentes longos (dos mais longos entre os colubrídeos) mas não são agressivas, muito pelo contrário, são animais amistosos, calmos, fáceis de manusear, dando excelentes animais de estimação. Se mantidas de forma correcta podem facilmente viver até aos 15 anos de idade ou mais em cativeiro.

A Lamprophis fuliginosus é a mais popular do género Lamprophis, mas há mais de uma dúzia de espécies, como por exemplo:

  • Lamprophis aurora
  • Lamprophis fuscus
  • Lamprophis geometricus
  • Lamprophis inornatus
  • Lamprophis fiskii

Requisitos em cativeiro

As cobras de casa africanas são bastante fáceis de manter em cativeiro, os seus requisitos são semelhantes aos da maioria dos colubrídeos. O terrário para um indivíduo adulto deverá ter no mínimo 60 cm de largura, 30 cm de altura e 40 cm de profundidade. Não precisa de muita decoração ou sítios para trepar, mas convém que tenha dois esconderijos: um na parte mais quente do terrário e outro na parte mais fresca para que possa regular a sua temperatura corporal sem prescindir do abrigo. É igualmente fundamental ter sempre um recipiente de tamanho adequado com água limpa à disposição. Não necessitam de radiação UV ou luz solar directa, mas convém estarem num local iluminado durante 10h-12h por dia para a regulação do ritmo circadiano.

O aquecimento pode ser feito por um tapete ou um cabo, colocado sob o terrário em cerca de 35% do seu espaço, ligado a um termóstato. A temperatura geral deverá oscilar entre os 23ºC-28ªC com a zona mais quente a cerca de 32ºC-33ºC durante o dia e durante a noite deverá descer aos 20ºC-25ºC com a zona mais quente a cerca de 27ºC.

Como substrato pode-se utilizar uma vasta gama de materiais, sendo os mais comuns, papel absorvente, jornal, casca de pinheiro ou areia. As cobras de casa africanas são mais activas nos períodos crepusculares e nocturnos, passando grande parte do dia escondidas. Podem-se alojar vários exemplares da mesma espécie no mesmo terrário, mas é extremamente importante que sejam alimentados separadamente, pois são muito vorazes. Também é aconselhável manter juntos apenas indivíduos do mesmo sexo.

Dieta

As Lamprophis fuliginosus são constritoras. Alimentam-se maioritariamente de pequenos roedores, mas também podem comer pequenas aves, lagartos, morcegos e ocasionalmente rãs e outros anfíbios. A frequência com que se deve alimentar varia entre um pequeno item a cada 4/5 dias para as cobras jovens, até 2 ou 3 itens a cada 7-10 dias para os adultos.

Reprodução

Esta espécie é tão fácil de procriar que, o maior cuidado está em evitar que procriem em excesso. Não precisam de hibernar como a maioria dos colubrídeos, apesar de não fazer mal uma pequena redução da temperatura durante os meses do Inverno. Os indivíduos desta espécie atingem a maturidade muito rapidamente, estando os machos aptos a procriar por volta dos 6 meses, e as fêmeas desde que tenham cerca de 60cm e 50g. No entanto, e para evitar a morte prematura da fêmea, idealmente esta deverá ter no mínimo 80cm de comprimento e pesar 250g. São cobras ovíparas e as fêmeas podem por ovos duas ou três vezes numa época. Uma vez grávida, e após a mudança de pele que antecede a postura dos ovos, deve-se colocar à disposição da fêmea uma caixa com um substrato húmido. É frequente os ovos ficarem pegados uns aos outros, no entanto não se deve tentar separá-los pois corre-se o risco de os danificar. Cada postura pode ter entre 2 a 15 ovos ou mais com dimensões que variam entre os 2,5cm-5,6 cm por 1,2cm – 2,4 cm.
A incubação é feita colocando os ovos num recipiente com vermiculite, perlite ou outro substrato que mantenha a humidade, numa incubadora a temperaturas rondando os 28ºC. Os ovos demoram entre 60 a 75 dias a eclodir.
As cobras de casa africanas nascem com 19-26cm e após a mudança de pele, que normalmente ocorre entre o 7º e o 10º dia, comem a sua primeira refeição.

Referencias Bibliográficas
Keeping & Breeding Snakes – Chris Matheson

 

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